Dani, carioca morando em São Paulo, balzaquiana. Tradutora de inglês, taróloga, mãe - não necessariamente nessa ordem. Interessada em escultura, cinema, partos, portos, livros, línguas, gente e um punhado de outras coisas.
Sexta-feira, Agosto 22, 200311:08 PM Então você foi ali, livre e leve, curtir a sexta-feira de sol e gazeta com o amigo de mais de década (ai, minhas rugas!) e passou a tarde inventando drinques com vodca e sorvete como nos velhos tempos.
Esse preâmbulo é necessário pra explicar por que diabos, chegando em casa, fui clicar na pesquisa do Globo sobre preconceito e as lésbicas da novela das oito or something like that (foi mal, pessoas, mas não me peçam links a essa altura). Logo eu, que nem vejo novela nenhuma. Que nem TV...
Enfim. Mas o tal fórum é um espanto. Não tanto pelas demonstrações abundantes de puritanismo e tacanhice já meio que esperadas, mas pela total incapacidade que as pessoas têm de expressar qualquer opinião coerente por escrito em língua portuguesa. O troço é tão grave que você lê algumas mensagens sem conseguir saber se a figura afinal é contra ou a favor das moçoilas, ou se muito pelo contrário.
Tenho que concordar com um nobre participante lá da troca de idéias: isso é uma verdadeira berração.
Domingo, Agosto 17, 20034:17 PM Eu moro num prédio sem elevador e infraestrutura nenhuma e costumo gostar disso. A explicação é um emaranhado de motivos que envolvem desde coisas muito viscerais como hojeriza a esquadrias de alumínio e portarias com sofá de couro sintético até razões prosaicas, de ordem prática mesmo, como o fato de mediante doses variáveis de funk nas manhãs de domingo eu poder receber pessoas e dar minhas festinhas ocasionais sem me preocupar jamais com o interfone, pedidos pra abaixar o som e reclamações sobre fumacinhas de origem duvidosa emanando das frestas do apartamento.
Pois é. Mas agora o novo morador gente-que-faz angariou fundos entre os condôminos e construiu uma churrasqueira ali num canto do estacionamento de trás. A inauguração começou ontem à noite, com uma coletânea nonstop de pagode até o presente momento. Acho bom eu caprichar na agenda de eventos dos próximos meses, porque alguma coisa me diz que vou sair perdendo feio no toma lá dá cá da vizinhança.
Me Jane, you Tarzan. Essa é uma amostra do Kaleidoscópio in english, num oferecimento do tio Google. Procure a frase original também em maiúsculas num post aí de baixo.
Descobri a pérola graças a um visitante dedurado pelo contador de visitas. Se o cara era realmente gringo, coitado, deve ter fugido daqui com uma imagem muito nonsense desta que vos escreve.
Que aliás (pelo menos por ora) respira aliviada na certeza de que não tão cedo vai perder mercado de trabalho pros softwares de tradução automática.
Quinta-feira, Agosto 14, 200312:59 PM Acabaram de avisar ali na minha caixa postal que Marte está mais perto da Terra que de hábito neste mês de agosto. Que deverá ser observável a olho nu e, com uma luneta comum, se exibir aos olhos dos mortais aqui embaixo do tamanho de uma lua cheia (!). Chance de outro tête-à-tête do gênero com o velho Ares, só pelos idos de 2287.
É meio por vício, eu sei. Mas não consigo deixar de pensar quais serão as implicações astrológicas de tanta proximidade...
10:31 AM Talvez porque tenha voltado o céu azul, acordei eu turvinha e mole por dentro, na boca saudade palpável de uma certa música quase triste.
Achei o CD de capa vermelha, acendi um incenso de alecrim, um banho bem quente, um chá meio morno.
E vou ali andar de bicicleta. Até virar vento (como já disse aqui uma vez).
Quarta-feira, Agosto 13, 200312:47 PM Quando tratar de blogueiros neuróticos passar a ser um campo sério da psicologia, um dos assuntos em pauta vai ser essa maldita pressão do calendário. Porque cá estou eu enfurnada nos meus problemas reais, sem saco nenhum pra escrever nada decente só que, não totalmente livre do vício, a cada vez que abro o treco pra dar uma olhadinha em visitas e comentantes não consigo ficar imune a ela cutucando a minha inércia internética. A data. 7 de agosto quer dizer 6 dias atrás.
Meio que gritando: NÃO VAI POSTAR NADA NÃO, É????
Fodeu.
Ou eu peço o telefone da analista da Cam, ou atinjo um estado superior da vida blogueira e faço feito a fofa da Zel, que simplesmente aboliu o calendariozinho de cima dos seus textos.
Quinta-feira, Agosto 07, 20033:47 PM Esquema especial de trânsito quer dizer mais ou menos que nada anda entre a Lagoa e a Praia, e que se você é uma reles mortal morando em Botafogo pode esquecer toda a esperança de ir a qualquer lugar hoje.
Tá bom, tá bom, eu não vou me aprofundar em considerações sobre o assunto. Mas não dava pra enterrar o velho no Caju, não?
12:44 PM Ué, cadê a chuva de canivetes?
Ontem enfim aconteceu o chope mais planejado do ano. E com o auxílio luxuoso da dona Bia Badaud. Porque eu e a vaca somos assim mesmo: quase vizinhas, mas só criamos vergonha na cara pra nos encontrar quando tem evento com outros blogueiros.
Ressacas à parte, meu comentário final sobre a noite não é lá muito original: Que boca, hein, Ângela?
11:45 AM Eu vezenquando dou uma passeada pelos escritos de mães de adolescentes e seus pimpolhos pra ir me acostumando com a idéia e ver se aprendo alguma coisa. E foi lendo a Mani e seus relatos dos tempos de menos sensatez materna que eu lembrei do incrível caso do copo de Coca-Cola, já amplamente sacaneado pelo Felipe e, claro, por todo mundo que fica sabendo dele.
É que a Lia não toma refrigerante. E nem vai tomar enquanto eu conseguir evitar o contato entre ela e o líquido do mal. É munida dessa idéia que eu parto pras festinhas de aniversário que são o pesadelo de qualquer mãe com pretensões de educação refinada e naturebice. Músicas rebolativas aos berros, doce e fritura pra todo lado, animadores com propostas duvidosas... Campo minado, meus amigos. Pra não enlouquecer, concessões: brigadeiro, pode; participar das brincadeiras, só se ela estiver muuuuito a fim; refrigerante, nem pensar. E estava eu monitorando a baixinha de longe, quando vem o cara da bandeja. Numa inspeção rápida dos copos, vi que a Lia escolheu um com líquido mais escuro. Ok, deve ser suco de uva. Mas peraí: tem uma BOLHA subindo pelo meio do líquido.
Agora a cena congela, e a seqüência seguinte passa em câmera lenta. Corta da cara de oh, não! da mãe aqui para o vôo espetacular pelo meio da criançada, dos balões, pais e animadores pra chegar a tempo de interceptar o copo a caminho da boca, respirar fundo e perguntar num tom casual se a pequena não preferia ooooutro suquinho.
Tá, podem rir. Eu também achei (um pouco) ridículo.
Quarta-feira, Agosto 06, 20032:03 PM operador de telemarketing: Bom dia, com quem estou falando?
danilo: Bom dia, seu nome completo, por favor?
operador de telemarketing: Adriano Costa, senhor. estamos...
danilo: o nome de sua empresa e cgc, por favor?
Diz meu amigo Danilo que cansou de brincar de blogue. Mas essa estratégia pra enlouquecer operadores de telemarketing que ele arrumou tá impagável. Dá uma olhada na transcrição completa da conversa aqui.
1:55 PM Contraditória à primeira vista, a tese de que uma cidade brasileira possa ser tecida de delicadezas entra em sintonia com uma camada profunda da autopercepção intuitiva do país. Como cidadãos, ainda que a nossa auto-estima morena seja vítima de um constante bombardeio realizado muitas vezes por nós mesmos, com bombas importadas, sabemos no íntimo que a violência de que fala a mídia nos atinge sobretudo através da própria mídia. A gentileza tem um grau bem maior de realidade cotidiana. Pelo menos por enquanto.
Pois é. Porque o Rio foi considerado a cidade mais gentil do mundo, segundo uma pesquisa de tempos atrás. Eu, que vira e mexe penso e discuto essa história de mídia e violência, achei na Trip de papel mais panos pra manga nesse texto aqui. Tem também uma discussão sobre Felicidade bem interessante. Aliás, pérolas motherns a parte (até porque essas eu leio em primeira mão), eu acho que a Trip continua dando um banho nos badulaques tepeêmicos.
Segunda-feira, Agosto 04, 200311:01 PM Foi um gênio quem teve a idéia desse relançamento da Coleção Disquinho em CD. Porque pais e mães nostálgicos devem estar entupindo as estantes dos filhotes com todas as historinhas sem muita necessidade de propaganda ou convencimento prévio. Aliás, necessidade nenhuma.
Ontem foi a minha vez de quase chorar na Livraria da Travessa diante da capa azul original de A Boneca e o Palhacinho. Ai, a minha preferida! Corri pro caixa toda comovida. A Lia não deu bola. Estava se divertindo com o banho de pó de giz e os empurrões na disputa pelo espaço do quadro-negro (Olha, mamãe, vou desenhar um sushi!)
Eu me preparei feliz para a derrubada do reinado absoluto de Rapunzel no aparelho de som da mocinha na mesma noite, mas confesso que foi um certo anticlímax. A letra das músicas, as vozes, era tudo igualzinho ao que eu lembrava, claro. Só que lá no fundo do túnel do tempo a coisa toda parecia beeeem mais emocionante.
Resultado? A criança adormecida há horas no berço, e eu incrédula com o dedo no repeat do sonzinho: Mas era só isso? Mas que enredo mixuruca. Essa canção não tá muito desafinada? Mas... Mas...
Hoje, claro, os passarinhos remasterizados cantaram mais estridentes do que nunca pela vitória: Príiincipe, príiincipe, o nome dela é Rapunzel...
Sexta-feira, Agosto 01, 20034:57 PM A sexta-feira tá cinza? Então aumenta o som e dá uma passadinha pra ouvir a música bonita que tem na casa desse menino idem, e depois toma uma overdose de carioquice do bem pra começar o fim de semana com o pé direito.