KALEIDOSCÓPIO
Dani, carioca morando em São Paulo, balzaquiana. Tradutora de inglês, taróloga, mãe - não necessariamente nessa ordem. Interessada em escultura, cinema, partos, portos, livros, línguas, gente e um punhado de outras coisas.








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OUTRAS PALAVRAS

Terça-feira, Outubro 28, 2003 4:47 PM



hahahahahaaha! Gostei.

Tá a fim? Inscrições aqui.


enviado por Dani K.



11:21 AM

e a última de São Paulo...
(ou direto de uma capital colonizada qualquer por este Brasil)

Domingo de sol a pino, o táxi pára na esquina da Paulista e reparo na mocinha de uniforme distribuindo aqueles panfletos de lançamento imobiliário. Na camiseta, o slogan: O Seu Personal Home.

Ah, pena que pobres trabalhadoras cariocas em táxis não são exatamente o público alvo dessas coisas... Eu fiquei sem o panfleto e com uma imensa curiosidade: Whathafuck is a personal home???

Ou melhor dizendo: alguém já ouviu falar de um home que não fosse personal???

Ai, ai. Mais um exemplo da tendência muito em voga na publicidade meia-boca: o dadaísmo americanófilo. Seus neurônios não dão conta de produzir um bom texto? No problem: basta misturar um punhado de terminhos da moda (in english, claro), embrulhar numa fonte muderna, e tá pronto o anúncio.

(por falar em publicitários, a aniversariante de hoje está longe de ser meia-boca. Passa lá na casa das motherns, que é dia de festa pra Ju!)


enviado por Dani K.



Sábado, Outubro 18, 2003 12:42 AM

constatações rápidas (direto de um cybercafé perto de você, com enxaqueca e quatro sessões de cinema na cabeça e house nas caixas de som)

* papai noel tem que me trazer um Zire 71. Eu prometo que como as verduras e não falo mais palavrão por um bom tempo. Imagina que prático ter câmera, bloco de notas, livro, walkman e agenda num mesmo palminho pra botar na mala! E é tãaaaao bonitinho. E olha que eu não faço a linha tecnology freak. Ou não fazia. Enfim...

* hoje topei inesperadamente com uns lugares já marcados de recordações. Quem diria, a grande-e-ameaçadora-cidade-cinza começa a virar minha também, se abrindo em geografia afetiva.

* nunca peça informação a um paulista. Não que eles sofram da síndrome do carioca ixperto. Pelo contrário, são bem gentis e solícitos em 99% das vezes. Só que simplesmente desconhecem as imensidões da cidade. Então, qualquer pergunta sobre localização e caminhos gera um sorriso hesitante.
E...
01 dúvida geográfica + pelo menos 02 paulistas = indicações diferentes, às vezes opostas, de caminho a seguir

* perdida ou afetivamente achada, é bom vagar sozinha no meio da turba noturna pelas ruas com vento frio na cara. Pode ser o mesmo tipo de ingenuidade de forasteiro que faz meus amigos gringos acharem pitoresco passear pelo Catumbi na alta madrugada, mas estou me sentindo bem por aqui.


enviado por Dani K.



Quinta-feira, Outubro 16, 2003 5:20 PM

Ontem na exposição, a Lia quis entrar no borboletário. Depois me olhou franzindo as sobrancelhas daquele jeito muito saturniano enquanto eu tentava explicar que, etéreos que são, aqueles quase-bilhetinhos-coloridos-voadores podem se assustar mortalmente com a solidez de um passo nosso.

Em seguida foi ela que me barrou a avidez diante do aquário com peixes vermelhos. Depressa como sempre aprendeu que podemos ser assustadoramente pesados perto de tudo o que é fluido e belo.

A verdade é que eu também queria me misturar às cores e asas e nadadeiras e esquecer a solidez. Mas adulta que sou disfarcei o meu olhar franzido e segui em frente.

Hoje enfim veio o primeiro dia-delícia de primavera, azul e fresco. E eu de partida para a cidade-que-não-acaba com mil providências e chatices a resolver.

"Amanhã sem falta", me garantiu o cliente lá pelo vigésimo-sexto telefonema. E eu garanti que estava acreditando.



enviado por Dani K.



Segunda-feira, Outubro 13, 2003 11:57 AM

Tá, eu não posso negar que Zélia Duncan e Cássia Eller sejam um upgrade diante das das guerras pagode X funk que comem soltas dia sim, outro também, bem embaixo da minha janela.

Mas dá pra alguém avisar ao vizinho novo e ao seu aparelho de som ultrapotente que a moça esquisita do apê em frente, aquela que vive enfurnada em casa, de havaianas, na verdade está tentando trabalhar?

Obrigadinha.



enviado por Dani K.



Quinta-feira, Outubro 09, 2003 7:14 PM

Eu leio ele.


enviado por Dani K.



Quarta-feira, Outubro 08, 2003 11:21 PM

Enquanto eu me detinha meio boquiaberta no branco atípico do caminhão e nas frases muito pomposas em vermelho anunciando coleta de lixo especial, reciclagem ecológica e coisa-e-tal, um movimento vindo da cabine me chamou o olhar.
Era o braço do motorista, que atirava pela janela um copo de plástico usado.

(mais uma da série 'enquanto a câmera digital e o fotolog não chegam')


enviado por Dani K.



10:20 PM

Uma das viagens do povo da Leitura Corporal era debater sobre os animais e sua carga simbólica. Lembro que as formigas tinham a vibração da abundância e vinham sinalizá-la aos pobres mortais desantenados das energias cósmicas.

Pela voracidade com que as taizinhas andam preteando até os sabonetes da pia do banheiro, tem pote de ouro no final do meu arco-íris.


enviado por Dani K.



Terça-feira, Outubro 07, 2003 10:53 AM

Há um tempo, no livro das motherns rolou um belo intercâmbio de dicas sobre festinhas infantis que até virou post. Na mesma linha, eu montei por aqui um antimanual, ou...

A Festinha de Aniversário do Inferno

* escolha um playground pequeno para o número de convidados, de preferência fechado. Ah, e que não tenha escorrega, balanço ou nenhum tipo de brinquedo para a criançada.

* marque o evento para bem tarde, num horário em que o aniversariante e a maioria dos convidados estejam caindo de sono e dando ataques por qualquer motivo (e que inviabilize a merecida balada de sábado dos pais).

* no bufê, exclusivamente frituras. Com guardanapos que não limpem a gordura de jeito nenhum. Para beber, só chope e refrigerante. Se for bem trash, tipo fanta laranja e guaraná kuat, melhor. Mate ou suco estão fora de cogitação. Água, nem pensar. Ah, e sirva tudo naqueles copos de plástico molinhos e bem fáceis de serem esmigalhados nas mãos dos pequenos.

* monte uma mesa com guloseimas do tipo salgadinho elma chips (mas de uma marca genérica), pirulitos bem cheios de anilina, que mancham a língua de azul, e jujubas em espetos de madeira com a ponta bem afiada, desses que soltam farpas também. Ao alcance das crianças.

* na mesa principal, ponha brinquedos que se mexem, elétricos. Logo você terá uma horda de criancinhas de menos de 3 anos arrastando cadeiras e subindo nelas para mexer em tudo.

* quando contratar a equipe de animação, faça questão de brincadeiras que incluam os adultos, tipo um desfile de mães ao som de "Conga Conga" ou um concurso de dança com a coreografia de "Ragatanga".

* esqueça o parabéns tradicional e ataque com a versão da Xuxa, a todo volume. Depois, claro, emende o corinho de "Com quem será..." e provoque constrangimento entre os pais das meninas presentes escolhendo a esposa do aniversariante de 3 anos.

* sirva o bolo em guardanapos, sem pratinho, garfinho ou nenhum material de apoio.

* arrume uma proporção de 18 docinhos de segunda linha para cada 2 brigadeiros legítimos, e eles serão disputados a tapa pelos pais já à beira de um ataque de nervos a essa altura.

* para terminar, substitua as músicas infantis do som por um pagode e tente promover uma confraternização geral.



Se você está admirado com a minha imaginação fértil, saiba que o antimanual veio todo pronto, ao vivo e a cores, no meu último sábado. Para a Lia, claro, foi uma festa divertida como outra qualquer. Ela saiu de lá às 10 da noite, empanturrada de coxinha e rissole, com a boca azul de pirulito e depois de ter tomado os primeiros goles de refrigerante da sua curta vidinha (ouvir um: "Mamãe, eu não gosto desse suco" foi o ponto alto da minha noite). Eu consegui driblar os pacotes de salgadinho genérico e já achei isso uma vitória.

Ah, e pode tirar esse sorrisinho da cara. Ninguém nunca, jamais, vai me ver pagar o mico de desfilar ao som de "Conga, Conga".


enviado por Dani K.



Quinta-feira, Outubro 02, 2003 11:42 AM

No encontro às escuras de blogueiras e afins você descobre que uma estudou contigo no jardim de infância, a outra é sobrinha-neta do seu vizinho de baixo, que tem gente da mesma faculdade e uma figura que conhece muito aqueles amigos que batem ponto no seu sarau.
É, não tem como não sublinhar o clichê: esta cidade é mesmo um ovo. De codorna.
Piracicaba? Tribobó da Serra? Não, minha gente, a zona sul do Rio de Janeiro.

Amigo escrevinhador, é melhor tomar cuidado com a língua solta. Os telhados de vidro, pelo visto, estão onde menos se espera.

E para os maridos ciumentos do evento das luluzinhas internéticas, um texto legalzinho da Elis Monteiro ali no blog do GNT. Só tem que rolar a tela até o 22/09, porque o povo de lá não faz a magicazinha do HTML que te leva direto ao ponto (você sabe, aquela mesma que eu também não aprendi a fazer).


enviado por Dani K.








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