Dani, carioca morando em São Paulo, balzaquiana. Tradutora de inglês, taróloga, mãe - não necessariamente nessa ordem. Interessada em escultura, cinema, partos, portos, livros, línguas, gente e um punhado de outras coisas.
Sábado, Novembro 29, 200310:38 AM Natal é quando a casa subitamente vira um playground para os gatos.
Família é quando, com todas as hesitações estéticas e filosóficas, você se pega pesquisando um modelo de árvore de Natal para enfeitar a sua sala (daquela com luzinha que pisca, hein, mamãe!).
Terça-feira, Novembro 25, 20035:23 PM Eu ando tão estressada com a confusão na vizinhança que a idéia de um apartamento indevassável na Oswaldo Cruz (ou seja, de janela pro paredão) me faz sorrir em vez de ter um ataque de claustrofobia.
Aliás, se você está pensando em se mudar, fique sabendo que os classificados são escritos numa língua à parte (enrolês?), precisam de dicionário e uma boa dose de sagacidade para serem decifrados. Afinal, além do indevessável aí de cima, tem outros termos clássicos, como aconchegante, que quer dizer minúsculo, ou charmoso, que em geral denota um prédio caindo aos pedaços.
Impecável quer dizer que o lugar recebeu uma mão de tinta de um pintor não disléxico e que fizeram uma faxinazinha (por incrível que pareça, isso não é lá muito comum no reino maravilhoso dos apês para alugar). Se tiver vista para o mar numa faixa de preço pagável, pode preparar o Dorflex: aquela manobra de pescoço pelo basculante da área de serviço vai render belos torcicolos.
Mas o melhor de todos foi o apartamento com hidromassagem. No anúncio eles só esqueceram de dizer que vinha o quarto de motel junto, com direito a armário espelhado, cama embutida de laca cor-de-vinho combinando com os painéis das paredes, carpete xexelento e um prático girovisão (ugh!) já instalado. E rodapés pintados de rosinha claro pelo apartamento inteiro. Um luxo.
A regra de ouro é ser sensato e nem marcar visita para nada que pareça um negócio da China a um preço super-razoável. A menos, claro, que você disponha de algum tempo livre, espírito de aventura e queira material para um post.
Sexta-feira, Novembro 21, 20032:13 PM que meus inimigos tenham pés e não me alcancem, tenham mãos e não me toquem, tenham olhos e não me vejam e nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Se um dia desse a louca acho que era mais ou menos isso que eu tatuaria enroscado no pulso, na nuca, em espiral em volta do umbigo.
2:11 PM Na minha rotina de trabalhar sempre de fone no ouvido, com vídeo, ter a colher de chá de ouvir música enquanto digito é coisa rara e saboreadíssima.
Só que Morcheeba em sexta-feira nubladinha não me dá exatamente vontade de pular em cima de um calhamaço de texto para traduzir, se é que vocês me entendem.
Quinta-feira, Novembro 20, 20037:36 PM Confesso: eu cogitei pegar as presilhas de cabelo da minha filha de 2 anos e meio para a produção da balada pré-Zumbi.
Calma! Não eram aquelas da Hello Kitty nem as outras com personagens da Turma da Mônica.
A bem da verdade eram umas coloridinhas-básicas que sobraram do acervo da minha irmã de 24 anos depois que ela arrumou prendedores que combinam melhor com seu allstar novo e suas meias coloridas.
Ah, tá.
Nota de esclarecimento: as presilhas no fim foram trocadas por uma faixa verde-água. Mas só porque as madeixas aqui ainda estão curtas demais para comportá-las.
(este post é uma homenagem à Patty e a todas as trintonas que, enfrentando o risco de serem acusadas de coroas sem-noção ou coisa pior, não pretendem tirar o terninho do armário tão cedo)
Quarta-feira, Novembro 19, 20039:54 PM A Carol falou, a Lau roubou, as meninas já estão comentando. E eu só tenho uma (triste) constatação a fazer:
queridas, o fenômeno não se restringe ao reino das babás. Experimente mandar dois conjuntos na mochila da creche. E não estou falando em dar uma de Hercovitch e querer que os outros captem conceitos fashion elevados, não. Você pode seguir as leis básicas da moda-C&A-para-criancinhas, tipo o short de borboletas vai com a blusinha de borboletas, ou camiseta amarela combina com calça com detalhes amarelos. Parece lógico, né? Pois é. As professoras e auxiliares dão um jeito de inverter tudo. Sempre.
Eu já cheguei a achar que era de propósito. Eu já vi mães comentarem a mesma coisa na hora da saída. E tome criancinhas desfilando modelitos absolutamente estapafúrdios.
É um mistério.
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Umbigando por aí, acabo de descobrir: tem kaleidoscópio novo no pedaço.
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E para encerrar o momento linkania-descontrol, mãe que é mãe sempre coleciona casos bonitinhos de criança pra contar, mas a doce da Pipa tem um jeito especial pra fazer isso e, claro, pimpolhos especialíssimos à sua volta.
Pra não pensarem que tou exagerando na rasgação de seda, uma pequena amostra das pérolas que eu colho por lá:
A Laís, minha sobrinha de 6 anos, chegou em casa depois de um fim-de-semana fora e achou uma garrafa vazia de champanhe na mesa da sala.
- Pai, o que é que tinha nessa garrafa?
E o meu irmão, tentando ser didático:
- É um tipo especial de vinho, Lalá. É um vinho bem clarinho, com gosto suave, que tem bolinha igual refrigerante.
E ela, já saindo:
- Ah, tá. Pensei que fosse champanhe.
Sim, postar letra de música é das coisas mais infames que se pode fazer num blog, mas é só isso que toca na minha cabeça agora e o resto de decoro que deveria ter sido esmagado pela dose de funk-no-som-do-carro que me atormentou ontem impede que eu ligue música aos berros numa hora destas.
O corpo sua em bicas despertado precocemente pelo abafado do dia, a garganta ainda dói de leve (própolis dá overdose?), tenho um pouco de trabalho e resto da pizza de ontem, na agenda almoço com querida e à noite exorciso a febre dos últimos dias na Febre.
Sábado, Novembro 15, 20039:19 AM Incrível a quantidade de câmeras digitais circulando pela noite (e de gente pendurada no celular em pistas de dança onde é impossível qualquer tipo de comunicação não-corporal). Não basta mais estar num lugar se o fato não for documentado e comunicado à exaustão. É, como disse alguém outro dia, o Big Brother (do Orwell, não da Globo) se instaurando a olhos vistos.
A impressão é que o maldito 'Sorria, Você Está Sendo Filmado' logo vai ser trocado por 'Breve Num Fotolog Perto de Você'.
3:58 AM Saudade de piquenique com sol vermelho (quatis?), e gritar teu nome em letras garrafais.
É tarde, ninguém na rua era você. Confesso: eu trocaria toda a vodca do mundo por cerveja agora. E beijo.
E por aqui amanheceu um dia daqueles de quase-verão carioca tão rasgado, nem sete horas e esse sol e esse azul, que troco qualquer pensamento mais sério por um copo de suco gelado.
Quarta-feira, Novembro 12, 200310:36 PM Casca de Noz. Armazém. Teatro do Planetário.
A última apresentação foi hoje. Mas eles voltam 12, 13 e 14 de dezembro.
Rompecabeza. Quadrilha. Teatro Glória.
Estreou agorinha. No horário da meia-noite.
Agora larga essa caixinha de fazer doido da nova era e vai pensar de verdade.
Vá ao teatro.
Domingo, Novembro 09, 200310:13 AM Dançar "Superfantástico", "Flashdance" e The Smiths deve ser mais divertido se você já não passou por alguns revivals anos 80 e, inclusive, pelo tempo em que essas músicas não eram retrô.
Bom mesmo...
é beber vodca com gelo olhando esses meninos e meninas bonitas que dançam-fluindo de olhos fechados.
Delícia é dançar de olhos fechados esquecida-consciente-imaginante dos olhares alheios. Com um outro som.
Sexta-feira, Novembro 07, 20039:24 PM Essa música maldita "Tô nem aí" tem 3 autores, dentre eles o Latino, vejam vocês. Precisou de 3 seres humanos pra escrever essa pérola do cancioneiro popular. Um escreveu o "tô", o outro o "nem"e o outro o "aí".
hahahahahahaah
A Fal é foda.
(com o perdão da má palavra, querida ;)
Quarta-feira, Novembro 05, 200310:39 PM Atentem para a faxina na coluna da direita.
(e para minha falta de vontade de começar um trabalho às onze e tanto da noite)
Agora a listinha de amigos está mais próxima da ronda diária atual. E, mais abaixo, sumiram os links quebrados para a fase kaleidoscópio-na-idade- da-pedra. Os servidores antigos tiraram aquelas velharias do ar há um tempo, obviamente.
Tá, eu vou ao menos tentar trabalhar.
Assim que terminar meu pratinho larica-com-gosto-de-infância de banana com leite ninho.
10:07 PM É, eu não tinha o que escrever e colei uma chamada do blogger.br no post abaixo. Mas não precisa contar isso pro pessoal que chega de outros lados...
Terça-feira, Novembro 04, 20038:55 AM De madrugada os googleiros se animam. Só entre ontem e hoje, encalharam por aqui os ilustres buscadores de arranjos com balões (sorry, esse item faltou na Festinha dos Infernos), frases muito loucas (eu me esforço, querido), motherns (essa é fácil. Bate aqui), reciclagem-bateria piracicaba (foi mal, não faço idéia) e, last but not least, punheta online (punheteiros já são um clássico neste humilde espaço).
É o Kaleidoscópio a serviço do ecletismo no mundo blogger.
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E já que o assunto são esses mistérios insondáveis da internet: por que uma busca por farmácia e botafogo no site da Riolistas traz como resultado uma lista das administradoras de cartão de crédito sediadas no bairro? Eu, hein...
Vai ver que é um sinal do Além para eu não olhar com tanto desprezo o calhamaço de papel amarelo que deixaram aqui na porta outro dia.
8:22 AM pequeno inventário de recordações quase-inventadas (ou: daquilo que vaza das gavetas)
agenda, sorvete de creme com bolo, short com estampa de Bali (dois deles, quase trocados), More Than Words, saco de dormir, bombinha de asma, IFCS, birthday tape, campo de futebol, arpoador, noite de febre, céu plúmbeo e tinta prateada....
curitiba, LNF e The Lost Boys (a trilha sonora).
Sábado, Novembro 01, 20033:40 AM Ontem eu vi meu pai fazer 60 anos numa mesa de bar na Cinelândia com a minha filha no colo.
Ontem era dia das bruxas.
Ontem eu entrei numa igreja como não fazia há anos para dizer adeus à menina pouco mais velha que a minha, que eu nem conheci.
Ontem eu abracei forte e triste o pai da menina-que-virou-estrela, o primeiro que conheci.
Ontem eu abracei pessoas do tempo dos eventos primeiros na minha vida. Pessoas-primeiras.
Ontem meia lata de coca-cola custou 10 reais e alguns centavos.
Ontem eu amanheci com uma espinha na plantada na curva do lábio inferior.
Ontem eu pensei que talvez precise de porto (mais um?) para meus escritos secretos. Ou não.
Ontem eu recebi um e-mail de Kuala Lumpur. E não, não era spam nem um novo vírus arrasador.
Ontem o passado vazou das suas gavetas.
Ontem eu larguei um trabalho pela metade.
Ontem a última pessoa que me falou em ECO usava coroa de strass e tênis prateados. (e me fez, talvez pelo efeito do açúcar que insistiram em colocar na minha caipirinha, pensar no coelho de Alice)
Ontem eu comi suflê de goiabada ouvindo samba de raiz.
Ontem eu pensei que as coisas são exatamente como devem ser. Ou que só pode se tratar de uma grande piada.
Ontem me doeu a saudade de quem veio justo quando a cadeira estava vazia.
Ontem fez cinco anos o meu casamento sem véu nem grinalda.
Ontem eu chorei a caminho do supermercado, e ainda nem era meio-dia.
Ontem eu tive um sorriso persistente nos lábios. E algumas boas risadas.
Ontem a lua estava crescente e linda como ele mandou fazer pra mim.
Ontem eu fui parar na Lapa porque a velha loucura conhecida era a única coisa a me garantir sanidade.
Ontem eu esqueci meu anel em casa.
Ontem acabou em madrugada de rara insônia.
Ontem foi, definitivamente, um daqueles dias cheios demais para caber em 24 horas.