KALEIDOSCÓPIO
Dani, carioca morando em São Paulo, balzaquiana. Tradutora de inglês, taróloga, mãe - não necessariamente nessa ordem. Interessada em escultura, cinema, partos, portos, livros, línguas, gente e um punhado de outras coisas.








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OUTRAS PALAVRAS

Quarta-feira, Janeiro 28, 2004 5:19 PM

Quando menina eu era mais para a tristeza.
Achava que felicidade era coisa pouca,
coisa de quem queria pequeno,
achava que era um esvaziamento.

Também via perigo para a inspiração,
porque quando se está feliz não se lamenta.
E toda escrita é um lamento.

Além do mais a Senhora Tristeza era uma beleza, com seus olhos oblíquos,
com suas tangências,
seu irremediável desalento.

Mas hoje estou feliz e escrevo,
embora sinta menos ­ confesso ­
a intensidade das entrelinhas.

E, sabe, tive até um pensamento:
existe tristeza sim na felicidade,
que se chama melancolia:
uma já saudade do que é bom
e um dia passa.

O sentir passageiro.


Ela, com precisão maior que a habitual, acaba de radiografar minha alma em palavras. Tou passada.


enviado por Dani K.



1:37 PM

Oquei, oquei, o filme é a grande unanimidade do momento.
Da crítica do JB a quem importa na blogosfera ao vizinho metido da minha mãe que invadiu meu papo no elevador, a humanidade inteira se encantou com Lost In Translation.

É.
Só que onde esse povo enxergou leveza e poesia eu vi inconsistência mesmo. E nem dá pra pôr a culpa na minha famosa docontrice cinéfila, que desta vez eu assisti ao filme bem antes da estréia e do hype todo. E ando até pensando ir em ver de novo, só pra tirar a coisa a limpo.

Tou maluca, Ângela?


enviado por Dani K.



Segunda-feira, Janeiro 26, 2004 10:11 PM

Fotolog pra pendurar palavras.
Contrasenso? Não, poesia concreta. Aqui, ó.


E logo ali tem a Carla Rodrigues discutindo não exatamente o sexo dos anjos.
A Igreja Católica e as mulheres. Passa lá.

E, para relaxar, quebra-cabeça de textos em Laura Experimenta. Incomodou um pouco meu lado revisora-píssica, mas lembrou uns livrinhos no estilo você-escolhe-o-final lá da adolescência. E aquela brincadeira em que cada um criava um pedaço da história, no caderno passado de colo em colo.


enviado por Dani K.



Domingo, Janeiro 25, 2004 11:32 PM

"Amar São Paulo é como amar alguém que não nos pede nada em troca."
Hã??
Eles lançam essa propaganda escrota na mesma semana em que eu paguei o IPTU, a taxa do lixo e o seguro absurdo do meu carro, pq não se pode ter carro sem seguro por aqui??? Tomar no cu. Nem uma amante argentina me pediria tanto em troca, vamos combinar.



Quem? A Fal sempre genial, claro. Essa da amante argentina foi óootema!
(i love you, beibe)

************************************************
Falar nisso, i love as mineiras também mas (e que elas me perdoem a heresia) tou aqui refrescando minha noite de domingo com Salinas on the rocks. Tim-tim.


enviado por Dani K.



Quinta-feira, Janeiro 22, 2004 1:49 PM

pequena série das reflexões que talvez esse blog precisasse ser mais anônimo para comportar (ou: afinal, pra que serve esta bodega?)

* simples assim: você joga a isca, eu mordo. E no tempo que se leva para enxergar a coisa com tanta clareza entram as histórias que dão graça à vida.

* sabe aquela amiga topa-tudo? Eu ando sentindo falta de uma (por perto, bien sur. pode ser um mero problema geográfico ;) e pelo visto isso é material escasso no mundo maravilhoso das mulheres casadas.

* andam acontecendo umas coisas por aqui que francamente! A sorte desse povo é que eu (ainda) sou bem-educadinha.


enviado por Dani K.



11:52 AM

Você já foi tratado como débil mental hoje? Então experimenta entrar na lojinha de ferragens da esquina e pedir ao português do balcão aquele negocinho amarelinho sanfonado, sabe?. Melhor ainda se for naquele horário em que o lugar está cheio de homens, encanadores, pedreiros, comprando material de trabalho.

E por que eu fui atrás do bendito amarelinho sanfonado? Puro contra-ataque desesperado, para deter o firme propósito dos felinos de me afastarem dos males da tecnologia. Depois de gastar rios de dinheiro em mouses (sem piadinhas sobre cats e mouses, plis), caixinhas de som, fones de ouvido e periféricos de fio fino (isto é, que possa ser estraçalhado pelos dentes dos bichos), e rios de tempo e paciência esfregando molho de pimenta ao longo de cada um deles, (não riam. Com a Tequila isso sempre funcionou lindamente. Só que a Morgana, que deve ter um pezinho na Bahia, acha que eu estou só temperando o lanche) a única solução que tem funcionado é aumentar o caos atrás da mesa embrulhando a fiação nos tais tubos de plástico duro.

Saiu na Istoé matéria sobre os casemods, esse povo que gasta dinheiro embregando seus gabinetes com neóns cor-de-rosa e afins. Se algum maluco inventar fios à prova de dentes de gato eles podem vir com o neón que for, que eu compro na hora.

É claro que meu pai engenheiro já me explicou oitocentas vezes que o nome do treco é conduíte. E é claro que eu só lembrei disso exatamente 1 segundo depois de dar as costas, com cara de tacho e sacolinha na mão, para o seu Manoel da loja de ferragens.


enviado por Dani K.



Quarta-feira, Janeiro 21, 2004 9:53 PM

Eu brinco que se os taxistas todos do Rio se reunirem um dia, o dossiê vai ser totalmente impublicável e eles vão poder me chantagear pelo resto da vida. Não-motorista eterna, eu passo boa parte da vida dentro dos amarelinhos. Da noturna, digo. De dia tem ônibus, metrô e pernas pra ajudar a cruzar distâncias. Além do mais, os taxistas diurnos perdem o bom da festa que é me ter no banco de trás. Porque à luz do sol são corridas muito circunspectas, no geral sozinha com meu modelito businesswoman indo pralgum compromisso de trabalho.
Mas, na noite, histórias não faltam. Histórias das mais absurdas tagareladas por mim para eventuais companheiros de banco, confissões arrancadas por uns goles a mais de vodca, infinitas voltas pra casa com infinitos casos, rolos e afins, teve de tudo. Teve a santa motorista que um dia parou o carro no meio da corrida e da madrugada pra me oferecer um lenço e dizer que não valia a pena chorar daquele jeito, teve o sujeito que teve o carro parado comigo dentro numa blitz em plena rua do Bispo porque o PM me viu com o cabelo recém-raspado e achou que eu era um cara.
Lembro dos muitos que fizeram cara de paisagem ouvindo as brigas mais cabeludas, lembro de alguns que tentaram dar conselho, dos que perguntam da balada e dos que tentam catequizar o passageiro à primeira brecha na conversa.

O fato é que, com ou sem dossiê, eu muitas vezes me coloquei no lugar deles e saí de táxis pensando em quantos casos os motoristas não deviam acumular nessa vida. E só estou contando isso tudo agora porque esse gaúcho resolveu transformar os dele em blog. E porque, ainda por cima, ele já levou Caio Fernando Abreu no banco de trás.


enviado por Dani K.



Terça-feira, Janeiro 20, 2004 8:52 PM

Hoje pousou uma joaninha no meu braço enquanto eu atravessava a rua do Catete. Minúscula, quase uma cabeça de alfinete amarela e preta em movimento, passeou um pouquinho ao norte do cotovelo esquerdo e foi-se embora.

E eu que sempre ouvi dizer que esses bichos trazem sorte achei que extraordinário mesmo foi ter conseguido aqueles segundos desligada do sinal quase abrindo e do caos em volta para admirar o raro da cena.


enviado por Dani K.



Sexta-feira, Janeiro 16, 2004 9:28 AM

Tá chovendo aí na sua sexta-feira também?
Vá relaxar aqui.


enviado por Dani K.



Quinta-feira, Janeiro 15, 2004 3:45 PM

Não que eu já não soubesse, claro (ter a cabeça entupida de teorias às vezes atrapalha mais que ajuda), mas nada como uma massagem no corpo pra dissolver os nódulos na alma.

E se aquilo que está em cima é mesmo igual àquilo que está embaixo, pegar o atalho sensorial de vez em quando não há de fazer tão mal.

A minha lua em Touro, extasiada, agradece.


enviado por Dani K.



Terça-feira, Janeiro 13, 2004 9:10 PM

Você parece comigo
Nenhum senhor te acompanha
Você também se dá um beijo, dá abrigo
Flor nas janelas da casa
Olho no seu inimigo
Você também se dá um beijo, dá abrigo
Se dá um riso, dá um tiro.


Músicas antigas, aqui. E uma sensação esquisita.
Nunca corra atrás de nada na vida, aconselhava o resultado de um desses programinhas de numerologia-miojo que me chegou hoje pelo e-mail. É, vai ver que eu estou fazendo do jeito errado.
(vai ver que eu preciso daquele banho de mar, das flores e tudo)


enviado por Dani K.



Segunda-feira, Janeiro 12, 2004 3:35 PM

Trepida lá fora a rua sacudindo ônibus, passantes e o apartamento inteiro. Barulho. Há uma semana, já. Aqui dentro trepidam hormônios, desesperos sazonais, me fazendo transbordar. O gato passa os dias no fundo do armário. Eu tomo fôlego, esperneio o quanto posso, mas não me restam muitos esconderijos.

Desci a escada para perguntar até quando dura o inferno (o externo, pelo menos), e a cara aparvalhada sem resposta do operário não deixou sombra de dúvida: britadeiras, definitivamente, transformam cérebros em milkshake.


enviado por Dani K.



Sexta-feira, Janeiro 09, 2004 3:01 AM

Sabe aquele papo d'O Ministério da Saúde Adverte..., nos maços de cigarro? Pois é, deviam fazer algo parecido com relação a e-mails e o percentual de álcool no sangue. Nada mais explosivo que chegar da noite direto para um computador ligado e uma banda larga básica. Evite o primeiro clique! Pulam verdades ocultas, insuspeitas ou descaradamente inventadas para todos os lados.

A mesma coisa se aplica, aliás, aos posts da madrugada pós-lama.
Se bem que esses podem ser deletados ao primeiro sinal de sobriedade, sem maiores conseqüências.


enviado por Dani K.



Quinta-feira, Janeiro 08, 2004 4:08 PM

Tem um apartamento pegando fogo ali na Rua Paula Freitas.

Quer dizer, tinha, por volta das 2 da tarde quando eu passei por lá. Tinha uma fumaceira até a Barata Ribeiro, carro de bombeiro fechando o trânsito, uma muvuca aglomerada em volta, o circo inteiro armado. A janela do consultório para onde eu estava indo, num prédio próximo, era bem de frente para o foco da confusão. E pelo meio da nuvem preta eu pude ver a vizinha de cima do conjugado em chamas se aboletar na janela pra observar o trabalho dos bombeiros. Fumando calmamente o seu cigarrinho.


enviado por Dani K.



3:24 PM

Já tem um tempo que eu digo que se pudesse pegaria o apartamento onde eu moro e levaria pra um lugar mais aprazível, acabando de vez com meus dilemas imobiliários. É que a minha rua não é das mais residenciais, o vizinho de janela fica muito perto, o prédio tem lá seus problemas...

Agora instalaram britadeiras consertando sei-lá-o-quê bem na minha porta. Ontem eu achei que estavam demolindo tudo sem consultar os ilustres locatários. E o Tuba quase surtou. Hoje eu cheguei em casa de bom humor depois de tomar um banho inesperado de chuva pela rua, e lá estavam os coitados (não dá pra descrever de outro jeito quem trabalha ouvindo esse inferno desse barulho o dia todo) dos operadores de britadeira esburacando o asfalto. E o Tuba sumiu pra dentro de algum guarda-roupa.

Ai.

(by the way, feliz ano novo e blablablá. Eu tive miniférias deliciosas em minas como todo mundo já sabe, mas minha porção filha-de-iemanjá só vai mesmo entrar em 2004 depois que rolar um mergulhinho básico e umas oferendinhas e mandingas. Ou seja, assim que os cocoliformes fecais se acalmarem aqui pela orla da cidade maravilhosa)


enviado por Dani K.








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