Dani, carioca morando em São Paulo, balzaquiana. Tradutora de inglês, taróloga, mãe - não necessariamente nessa ordem. Interessada em escultura, cinema, partos, portos, livros, línguas, gente e um punhado de outras coisas.
Quarta-feira, Abril 28, 200412:27 PM - Alô?
- Bom dia, senhora Daniela, aqui é da Pizzaria XYZ.
(hein? que tipo de pizzaria liga pra casa do cliente às 10h da manhã? Que tipo de pizzaria liga pro cliente em vez de esperar o telefone tocar, anyway?)
- Ahn?
- A senhora fez um pedido ontem à noite...
- Sim?!
(aimeudeus, será que eu passei um cheque sem fundo pros caras? Mico, mico...)
- Nós gostaríamos de estar sabendo se a senhora foi bem atendida. A pizza chegou no horário? A massa estava no padrão XYZ? O entregador blablablá...
O questionário era imenso, levou bem mais tempo que minha ligação pedindo uma média de muzzarela com tomate extra. E a mocinha parecia fazer uma anotação complexa a cada grunhido meu.
Tá, é louvável os caras adotarem uma política de satisfação do cliente e tudo mais. Mas assim já é ridículo.
Segunda-feira, Abril 26, 20049:19 PM Se começam a chover comments no seu pacato bloguinho... isso não é Impulse.
Oi, gente, vamos entrando. Fiquem à vontade, sim?
Tem café e água gelada ali na cozinha, eu vou ver se encomendo umas empadinhas e umas cervas no mercado da esquina.
(só agora me toquei que estou no Blogs of Note, hehehehe)
Sábado, Abril 24, 20041:37 AM Cara, a coisa mais mulherzinha do mundo é essa atração fatal por oráculos, virtuais ou reais. Mas esse aqui é bom mesmo (ou seja: pelo menos foi elaborado por alguém com real noção de astrologia e energia de cores, e de como casar as duas coisas).
Segunda-feira, Abril 19, 200412:51 PM Maluquices blogueiras (e eu ajudando a divulgar)
1. pegue o livro mais próximo de você
2. abra o livro na página 23
3. ache a quinta frase
4. poste o texto em seu blog junto com estas instruções
Aquela figura grotesca, na extremidade da mesa, com o cabelo espalhafatoso como um mastro de cocanha ('Come une grande perche mal fagotée'), era, realmente, a rainha?
Orlando, de Virgínia Woolf (em tradução da Cecília Meireles)
Quinta-feira, Abril 15, 200412:17 PM Ah, sim, e enfim alguém tomou a iniciativa de mandar restaurar a fachada aqui, dar uma mão de tinta verde nas persianas de madeira que eu tanto amo.
De manhã a Lia foi me acordar animada anunciando que o moço tava colorindo tudo e o nosso prédio ia ficar bonito.
Agora 'o moço' tá aqui do ladinho, pendurado a uns bons metros do chão conversando com o colega sobre a namorada que arrumou e a macarronada que a mãe dela faz. Eu, de short e camiseta e havaiana, faço cara de quem digita o texto que vai mudar o destino da humanidade or something. E um esforço tremendo pra não me meter no papo de pintor. Agir naturalmente, agir naturalmeeeeenteeee. O gato, coitado, acha que esse é um sinal inequívoco do fim dos tempos e não para de miar e correr pela casa desde cedo. Surreal.
Mais surreal que isso, só o dia em que eu estava distraída na casa da minha mãe e entra um braço pela grade da área de serviço: "Moça, me arruma um copo d'água?"
E ela mora no vigésimo-primeiro andar.
Quarta-feira, Abril 14, 20046:05 PM nomes, nomes, nomes
Não que isso seja um problema pós-internet. Era P. B. Dias no cabeçalho das provas, Dani Dias na faculdade, Daniela Porto pra alguns. Profissionalmente, escolheram as opções mais óbvias. Quando comecei o blog, eu fui pela via afetiva: Belmiro sempre foi o meu sobrenome preferido. Mas o mail diz daniporto desde sempre. Enfim.
Tirando a parte divertida de ensaiar uma vida com múltiplas personalidades, a brincadeira acaba sendo um belo transtorno na maior parte do tempo. E não é de hoje que me pego tendo que dar explicações. Isso mesmo, sou eu a tradutora lá nos créditos. E a mãe da Lia que ganhou o Barcellos em vez do Belmiro, e a ex-aluna da ECO também. Eu sim, eu mesma, pois não? Eu que escrevi a crônica, eu que assinei o texto, que dei a dica lá no LV.
Aliás é de lá mesmo (e dos fotologs e comunidades virtuais da vida) que talvez enfim esteja brotando solução pro imbroglio eterno. Porque Danis são muitas por toda parte, claro. E na internet eu virei a Dani do Kaleidoscópio, a Dani do K, Dani K.
Depois de anos de indecisão entre os sobrenomes reais, eu ando gostando desse inventado.
Agora só não sei se proponho uma enquete nos comentários ou se declaro aberto o fórum de consultoria numerológica. ;)
5:42 PM Não me entendam mal, please.
Eu também seguro a bolsa com força, eu troco de calçada. Moro aqui, Rio de Janeiro 2004 e não numa caverna na Índia. Isso faz parte da consciência ordinária, é natural. Eu também tenho medo, eu também sou humana (brigada pelas palavras, Ju querida, mas você bem sabe disso).
Mas é que as consciências são muitas dentro da minha cabeça quase raspada. E eu não sei calar a voz que me cutuca por dentro, sabe como é? Organismo ou teia, todos parte da mesma coisa. Células. Alguém que grita põe pra fora a dor que você engoliu dia desses. O cara que puxa a arma, o outro sem noção do valor da vida, o estuprador, traficante. Nós, nós e nós também. Eu. O eu que prefiro varrer pra baixo do tapete por vergonha ou comodismo, sim.
Você sufoca aqui e a ferida abre adiante, purulenta, a força redobrada.
Eu não sei deixar de ver as linhas pontilhadas, os desenhos com tinta invisível, as entrelinhas.
(eu de vez em quando preciso despejar coisas assim por aqui pra não enlouquecer com a dança das vozes todas)
2:55 AM Eu me dedico a um monte de maluquices, vocês sabem.
Eu passo boa parte do tempo pensando em coisas pouquíssimo ortodoxas também.
Pois é, e eis que ultimamente tenho lembrado muito de umas discussões bacanas com um grupo de que eu gostava muito, nuns sábados de sol sem praia lá pelo alto da gávea.
Mas não era nada disso que eu queria dizer.
Depois de se gradear dentro dos prédios, de se blindar nos carros o povo acha que murar favelas é solução. Porque o inferno são os outros, certo? E a idéia nem sequer é original.
Ah, eu ando cansada, eu queria ter como explicar melhor, mas nada vai acontecer enquanto a gente não for capaz de olhar bem nos olhos ferozes dos fernandinhos-dudus-pivetinhos da vida e se ver ali também.
Pena que consciência não dá voto e não dá ibope. Pena.
Terça-feira, Abril 06, 200410:27 PM momentinho humpf!
Primeiro me liga a vaca, esperando amigas pra um chopinho na Cobal. Agora Ju e Lau no celular, com a tradicional ligação depois da terceira cerveja na Baiana.
E eu aqui, olhando pra fita sem coragem de começar a tradução.
Acho que preciso rever meus horários de trabalho.
(acho que preciso de um emprego)
Sexta-feira, Abril 02, 20042:41 AM Duas da manhã e ninguém atende o telefone no hotel triste. Foi divertido, sim.
A bem da verdade eu ri até ficar com a boca doendo, comi os legítimos nachos do Café Pacífico reeditados. Eu tomei caipirinha de caju e até aprendi a fazer guacamole, que afinal não é tão difícil assim.
Mas o filme era Harry & Sally, sabe?
E mais cedo a lua tava linda como você sempre encomenda pra mim.
Alta madrugada agora, e eu tava louca quando pensei em 6 meses.