KALEIDOSCÓPIO
Dani, carioca morando em São Paulo, balzaquiana. Tradutora de inglês, taróloga, mãe - não necessariamente nessa ordem. Interessada em escultura, cinema, partos, portos, livros, línguas, gente e um punhado de outras coisas.








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OUTRAS PALAVRAS

Quinta-feira, Julho 29, 2004 11:58 PM

( ) São Paulo é uma cidade tão civilizada que eliminou incômodos prosaicos da vida das pessoas, como esquecer um resto de comida em cima da pia e achá-lo soterrado por formigas 20 minutos depois;

( ) São Paulo é uma cidade tão insalubre que até mesmo as formigas (e insetos todos, até onde eu pude notar mesmo na vizinhança de casinhas, arvorezinhas e quetais) desertaram;

( ) NRA


enviado por Dani K.



Sábado, Julho 24, 2004 7:29 AM

Uma birken pra usar com meia (e não roubar a gigante do marido), roupas três vezes mais quentes que minhas frugalidades cariocas (casacos lindos no brechó da esquina), meias, meias e meias, um fogão funcionando pro chá de baunilha, banda larga pra namorar, trabalhar e sustentar o vício, uma bike pra sair nesse iniciozinho de manhã de sol (com marchas boas e pernas pro ladeirão da volta), grana pra cair na piscina semiolímpica, climatizada, sem cloro da academia-poder na Oscar Freire (de preferência com massagenzinha depois, bem perua), filha na escola, gatos por perto, alguém que me faça uma sopa de tomates, nenhuma caixa de papelão num raio de mil quilômetros, alguns livros novos em troca dos antigos.
É, não falta tanto assim.


enviado por Dani K.



Sexta-feira, Julho 23, 2004 11:05 AM

Eu não conheço a alemoa de bochechas rosadas que me olha dos espelhos desta terra gelada. Talvez seja o momento de fazer aquela velha loucura e pintar o cabelo de preto.


enviado por Dani K.



Sexta-feira, Julho 16, 2004 9:03 PM

Frio de novo, tarefas infindáveis a cumprir. Descobri que só sei escrever conectada (e nem quero ver a conta quando mandarem). Hoje à noite pegamos a estrada, mas meio incômoda essa sensação de um pé lá outro cá. Tenho pendências aqui. Uma vida inteira esperando nas caixas pra começar. Lá nem sei mais onde fico, mesmo ansiando vagamente por esquinas familiares, quem sabe um banho de mar. Não tenho saudades ainda, não tenho na verdade quase nada fora o cansaço. Hoje peguei no sono enquanto tomava notas. Feito meu avô e suas mãos ásperas, cabelos brancos levemente desgrenhados cochilando na poltrona que mora agora no meu quarto.
Da janela vejo a antena, ali fora os gritos experimentais rompendo as paredes do teatro vizinho com uma melodia que me chama. Atrás tem uma praça com eucaliptos, uma padaria onde não entendem o que eu digo - como se falasse realmente uma língua diversa. Prometeram o móvel para segunda, talvez alguém busque também os outros. Paciência para que se acertem as coisas, paciência para purgar a dor que só chegou agora. Que eu precisava que não viesse nunca.

Mas ontem achamos o bar e era bem perto; cerveja gelada e planos.
Eu por agora leio Cony, visto mais um casaco e penso no laranja brilhante das flores que vi enfeitando os galhos nus.


enviado por Dani K.



Quarta-feira, Julho 14, 2004 11:51 AM

constatação: paulistas são seres sobre rodas. e ponto.

Simplesmente não passa pela cabeça de alguém a quem se pede informação nesta terra que você possa estar desmotorizada. Então, o que é perto fica no mínimo a umas vinte quadras, e o longe...

O bom é que com as avenidas infindáveis e os ladeirões absurdos eu vou ficar sarada sem deixar uma fortuna na academia.


enviado por Dani K.



Quinta-feira, Julho 08, 2004 1:03 AM

A torneira pingando lá dentro, papéis revirados na mesa, as gatas que por enquanto ficam, a lista do que falta fazer, um último texto pendente, as mensagens a serem respondidas, a roupa esperando na corda, a mala aberta na cama, e eu que nem lembrei de comer. Tem sorvete na geladeira desligada, uma montanha de coisas pro lixeiro levar. Eu separei as revistas, me desfiz dos papéis, não consegui dar as roupas. O móbile já não balança com o vento, eu perdi a hora de pagar a conta. As fotos no disquete não abriram, e daquele dia me falha a memória. Sobraram quatro cervejas. Só os isqueiros na lata. Água pelo chão da cozinha, feitiços no congelador, as velas a serem apagadas. O homem que prometeu a poltrona sem falta, a briga por telefone, as lágrimas que ainda muitas, o beijo que enfim (e logo agora)... será que me quebram as cerâmicas?
O ursinho vai na caixa pequena, as máscaras todas guardadas, os documentos, as certidões, os recibos do que nem existe mais.
Cinco anos em uma tarde.

Vontade de chuveiro e cama, e olha que mal começou.


enviado por Dani K.



Quarta-feira, Julho 07, 2004 11:38 PM

Não gostar de despedidas não adianta muita coisa se você tem uma personalidade irremediavelmente dramática. Todas as tarefas comuns do meu dia hoje foram acompanhadas por aquela sensação melancólica do 'é a última vez' nas entrelinhas.

*****

E o mais esquisito é saber que vai mudar absolutamente tudo na minha vida e online eu continuo sendo a mesma velha pessoa nos mesmos velhos endereços.


enviado por Dani K.



Segunda-feira, Julho 05, 2004 11:03 AM

filosofia numa hora dessas...

"Maturidade é ter grana e noção suficientes pra se divertir bebendo só uísque bom e curtir um dia seguinte livre de ressaca."


enviado por Dani K.



Quinta-feira, Julho 01, 2004 10:45 AM

ei, você já tá sabendo que no sábado vai ser A festa, né?

*****************
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH
Alguém me leva para a FLIIIIIIIIIIPPPPPPP!


enviado por Dani K.








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