Dani, carioca morando em São Paulo, balzaquiana. Tradutora de inglês, taróloga, mãe - não necessariamente nessa ordem. Interessada em escultura, cinema, partos, portos, livros, línguas, gente e um punhado de outras coisas.
Quinta-feira, Agosto 26, 200411:28 AM Sabe aquelas pessoas esquisitas que têm a pachorra de passar três horas procurando uma música-de-chorar, só pra depois ligar o som no repeat?
Quinta-feira, Agosto 12, 200410:51 AM Quase meia-noite, frio mesmo dentro do ônibus cortando a estrada. O perfume da minha mãe ficou no casaco e agora paira por aqui. Lá a beleza do dia beirava o obsceno e mesmo assim os tênis me massacraram os pés. Eu entreguei as chaves, cumpri obedientemente os compromissos.
Cidades são sempre cidades, ela me diz com os dramáticos olhos azuis por trás dos óculos depois do peixe e saudades com fritas no boteco, as risadas da véspera ainda ecoando.
Aqui eu espio a moça e seu olhar atento e seu cachecol de arco-íris, a mão agarrando a bolsa com firmeza. E penso que as minhas cores já não destoam assim, que eu hoje estou só voltando pra casa no último metrô.
Tento adivinhar o destino do homem de barba, aquele que agora abre um bestseller dois bancos adiante. Linha 3, vermelha. Voam do vagão os meninos de cabelo black-power e calça muito larga. Eu talvez tenha deixado por lá os meus óculos escuros, eu vi que respiro pior perto do mar e desta vez nem tive tempo de fincar os pés na areia.
Aqui sei que me espera a criança exausta e insone, sei que talvez num gesto ele me limpe as palavras da fronte como quem afasta uma nuvem, e que preciso por isso ser rápida ao despejá-las. Eu sei que há mensagens não lidas, comida no fogão e que eu talvez queira um chá ao chegar. Sei que amanhã não demora, que volto outra vez ao início e, não sendo alento, isso ao menos pode ser confortável.
Cidades, ela disse por trás dos óculos, são sempre cidades.
Domingo, Agosto 08, 200410:52 PM e ainda o orkut...
Anywhere but here. Dizem que funciona, sim, o problema é você conseguir editar o país no seu profile sem perder a paciência com os seiscentos e cinqüenta e três pedidos pra voltar a logar.
Isso porque, é claro, mesmo na festa trendy-gay em pleno apartamentaço na augusta tem sempre alguém que foi da ECO. Deve ser alguma das tais leis da Física, ali uns dois parágrafos depois daquela que fala sobre a gravidade.
(ECO meaning Escola de Comunicação da UFRJ, a quem interessar possa)
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E domingo na contramão dos restaurantes lotados, frio, frio, e yakissoba fumegante de barraquinha na liberdade ainda que à tardinha, que liberdade das datas todas é bom também. Dica delícia da moça idem de blusa vermelha e botas e um certo sotaque... Engraçada se já não meio óbvia essa coisa com designers mineiras, 'liguem pra mim' e nós ligamos. Aiai.
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E se no meio do papo-festinha você descobre que está rodeada de gente nascida na década de oitenta, isso não é Impulse. (sorte é que todos devidamente maiores de idade e vacinados, pelo menos)