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5:47 PM
A grama fria debaixo das costas, o sol entre as árvores da praça quase vazia, as abelhas muito gordas e lentas em volta dos doces da padaria. Engraçado como tudo ganha contornos meio surreais pelos véus febris da gripe, este ócio forçado no meio da semana, o novo mergulho em livros tão antigos.
Eu concentrada demais em não desmaiar com o suco viscoso e doce, que não me lembro de ter comido ou bebido nada antes e quatro da tarde, já. Na mesa de trás sinto o perfume do sujeito que fala sozinho (ou com a xícara de expresso, nunca se sabe). Em frente uns 4 ou 5 sujeitos talvez beirando os 70, jeans e tênis, bonés e camisetas destoando das mãos enrugadas e cabelos brancos desgrenhados. Um reclama do preço do quilo do açúcar, outro pede guaraná com duas pedras de gelo. Du-as. No meio do grupo uma não tão velhinha com roupas de vovó das histórias, vestido e mocassim e casaquinho de lã. Só falta o guarda-chuva, me ocorre, mas hoje o dia amanheceu azul-azul.
Eu termino o suco, imagino histórias sem nexo e tento ler.
E a febre, a febre.
enviado por Dani K.
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