KALEIDOSCÓPIO
Dani, carioca morando em São Paulo, balzaquiana. Tradutora de inglês, taróloga, mãe - não necessariamente nessa ordem. Interessada em escultura, cinema, partos, portos, livros, línguas, gente e um punhado de outras coisas.








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OUTRAS PALAVRAS

Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007 5:49 PM

E por falar em criancices...

A moça da papelaria ficou praticamente ofendida quando eu expliquei que não, não queria um caderno nem excessivamente cor-de-rosa nem de personagem, porque afinal era para mim mesma. Mas nem da Hello Kitty? Nem esse que vem com adesivos? Eu, hein.

A operadora de celular contratou um palhaço pra entreter os outros pal... digo, clientes, acho que na tentativa de fazer eles esquecerem que pegaram uma senha e vão ter que esperar mais de meia hora por um atendimento que vai durar no máximo 5 minutos. O sujeito imita o Sílvio Santos (com velharias da época em que eu via o Domingo no Parque), faz piadinhas infames, constrange uns desavisados que entram na loja.
E, pasmem, faz o maior sucesso.


enviado por Dani K.



Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007 2:25 PM

A Greice falou em Peter Pan num comentário lá embaixo, eu lembrei do que li hoje de manhã sobre querermos ser todos crianças a vida inteira na Carla Rodrigues.

Quem saca inglês pode ler direto o artigo do Michael Bywater, aqui.

E me contar o que achou, que eu ainda estou matutando a respeito.


enviado por Dani K.



Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007 4:01 AM

É claro que eu já tinha ouvido exaustivamente que São Paulo fica deserta no carnaval e blablablá, mas, chegada de uma cidade-com-carnaval e já acostumada a ter (montes de) gente por todos os lados o tempo todo aqui na metrópole-sem-carnaval eu acho que no fundo tinha lá minhas dúvidas sobre o quão deserta ela poderia ficar de verdade. Pois.

Aproveitando a presença dos avós que vieram corujar a neta aniversariante, demos uma fugida rara em plena noite de sábado para um cineminha na Consolação. Num atraso que tinha tudo pra ser fatal (sábado à noite, certo? na Consolação) chegamos à bilheteria faltando uns dois minutos pra sessão e... tinha ingresso! Vimos o filme com meia dúzia de gatos pingados (mesmo) na platéia, depois andamos duas quadras vazias até a Augusta pra tentar beber uma cerveja no boteco que... estava fechando por falta de público (sábado à noite, certo? na Augusta). Nos contentamos então com o pedaço da pizza mais fácil de conseguir que já houve por ali numa noite de fim de semana, curtimos um pouco o fresquinho junto com os que aproveitavam a Paulista às moscas para umas pedaladas e viemos pra casa com um taxista que ainda nos deu um belo desconto, porque obviamente nenhuma das 853 linhas de ônibus que costumam fazer o trajeto a noite toda estava circulando.

Isso sem ouvir um batuque, uma TVzinha sintonizada no desfile, um bêbado, um bloquinho chinfrim que fosse.

Tá, eu não sou a pessoa mais carnavalesca do mundo, mas sou carioca, né? E como disse pra amiga paulistana que mora no Rio e me ligou pra comentar justamente a situação inversa, foi um feriado estranho. Muito estranho.

***********

Mas cômica mesmo foi a cena na saída da (outra) pizzaria já na segunda chuvosa à noitinha, depois do passeio pelo Ibirapuera com os avós cariocas da aniversariante e o resto da trupe. O assunto do fim de semana, óbvio, tinha sido a consternação geral com a ausência da confusão carnavalesca e todas as piadas possíveis a respeito.

Então, quando bem na esquina da pizzaria topamos com uma moça com a camiseta colorida de uma escola de samba, foi aquela profusão de dedos apontando o raro exemplar do carnaval paulistano, de cumprimentos efusivos e perguntas sobre a folia para a criatura, coitada, que deve estar até agora com medo do bando de malucos.


enviado por Dani K.



1:32 AM

Nesta temporada em São Paulo, nosso destino quase certo quando queremos lazer e ou atividades culturais pras crianças são as unidades do Sesc. Como eu não sou sócia de clube nenhum e praia e pracinha não são exatamente ambientes ideais para observar a relação de pais e seus filhos com regras e autoridade (embora sejam pra observar mil outras coisas, taí o livro que virou filme que não me deixa mentir), e como também as peças, exposições e eventos organizados por eles costumam reunir um público bem variado em termos de classe social e procedência - até onde as aparências e sotaques revelam - acho que posso considerar esses nossos finais de semana como uma amostra representativa de como pais brasileiros andam educando suas crianças nos princípios de convivência social.

Antes que pensem qualquer outra coisa, eu tenho que dizer que não sou nenhum exemplo de relação tranqüila com autoridades e regras, longe disso, mas é que tenho visto umas coisas que me deixam de cabelo em pé. Para resumir o drama, acho que posso classificar os pais que mais me chamam a atenção em dois tipos básicos:

- os que se colocam no mesmo nível da criança e lançam para ela um olhar cúmplice que diz (ou que às vezes chegam a dizer mesmo) "poxa, fulaninho, você tem toda razão de querer correr na borda da piscina" - ou entrar no meio da peça, ou gritar no restaurante ou lá o que seja - "mas não vai dar pra gente fazer isso aqui porque o chato do moço não deixa" - ou expulsa, ou dá bronca, ou lá o que seja.

- os ixperrtos (o que feliz ou infelizmente eu tenho constatado que não é uma prerrogativa dos cariocas) que incham o peito de orgulho quando o rebento já iniciado na malandragem fura uma fila ou rouba o livrinho de uma criança menor ou que com um ar de impaciência empurram o moleque pra dentro do cordão de isolamento pra deixar de ser banana (sim, eu já ouvi com essas palavras) assim que o monitor da atividade vira as costas.

Olha, nem é o caso (e seria de péssimo gosto) de ficar elencando barbaridades ou fazendo concurso do que é mais grave/absurdo, mas esse tipo de coisa me faz ficar tão pasma e preocupada com o rumo dos acontecimentos quanto aquelas outras. Além de pensar, claro, nas ligações inevitáveis que deve haver entre uma ponta e outra do espectro.


enviado por Dani K.



Terça-feira, Fevereiro 20, 2007 3:30 PM

E mais do mesmo (porque é a parte necessária da reflexão, creio eu), aqui.


enviado por Dani K.



Domingo, Fevereiro 11, 2007 11:24 PM

Eu não ia falar, não, mas ela disse. E a Monix disse também, nos comentários.

E é isso.


enviado por Dani K.








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