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7:55 PM
A revolução começa pela boca (in english sem legendas, infelizmente, mas vale a pena assistir).
Garimpado aqui.
enviado por Dani K.
2:02 AM
eu também fiz!
enviado por Dani K.
5:01 PM
Eu e os não-beijos, pra Giu.
1986
Eu era (de novo) a menina recém-chegada na escola e meio estranha. Passava os recreios escrevendo, as tardes lendo na rede da varanda com a coelha da casa deitada junto, gostava de aula de literatura e de roubar amora com meu irmão e voltar pra casa com a camiseta toda roxa. Tinha uma amiga só, que aliás é minha amiga até hoje. Um dia, não sei se ela ou outra veio me dizer que ele gostava de mim. F. tinha uns olhos verdes de bola de gude, umas sardas e um cabelo escuro meio arrepiado, e aquilo era totalmente fora de propósito.
Eu me achava esquisita demais pra ser gostável, e além do mais queria ser freira enclausurada e outros projetos assim dramáticos, mas concordei em estudar matemática com ele. Depois de umas tardes de equações no quartinho perto da copa lá estavam os dois sentados no pára-choque do carro branco do meu pai na frente de casa. Eu não lembro da conversa, só de umas flores amarelas caídas da árvore e do calor da perna dele perto da minha.
Era quase de noite, eu não mandei F. embora e não entrei correndo em casa achando que ia explodir.
1996
Tirei férias e fui pro Canadá, pra casa de uma prima em Toronto. Queria cruzar o país de trem até Vancouver mas acabei mudando de planos. Era outubro, frio, mas mesmo assim fui conhecer umas cidadezinhas de praia no litoral do Atlântico. Na volta, Quebéc e uma noite no Hostel da cidade. K. era neozelandês e me contou a vida inteira, das aventuras do trabalho de fotógrafo de vida selvagem até a mulher que tinha morrido fazia pouco tempo. Não lembro mais do rosto dele. Sei que não era um cara bonito, mas tinha alguma coisa que me hipnotizava. Ele me deu um cajado que tinha uns entalhes feitos do próprio punho e um cordão com uma pedrinha verde.
O dia amanheceu, eu não inventei um programa turístico qualquer e não desencontramos quando ele foi me deixar um bilhete com seu endereço (numa califgrafia que eu nunca decifrei) antes de cada um sumir para sempre rumo ao seu lado do mundo.
1998
M. trabalhava comigo e eu não queria saber de confusão. Já tinha beijado algumas outras moças, mas dela eu tinha medo. Medo de mim, basicamente, de acabar querendo mais que. Ainda assim, ficamos bem próximas. Cinema, umas confidências trocadas, risadas. Amigas.
Meu aniversário chegou numa fase em que eu andava brigada com outros amigos (por causa de beijos, aliás) e acabei armando uma comemoração só com o pessoal do trabalho mesmo e dane-se. Era um restaurante indiano, uma mesa grandona, um monte de vinho tinto. Eu morava praticamente ali na esquina, mas mesmo assim ela me deu carona no carro vermelho. Paramos na porta do prédio, a conversa não acabava mais, as mãos se esbarravam toda hora com a desculpa de trocar a estação do rádio. Por uns 40 minutos ou mais ficou aquela tensão absurda no ar.
Eu não amarelei, não saí do carro falando que era tarde e eu precisava dormir e não desconversei e pus a culpa no vinho quando ela ligou uma meia hora depois de ir embora pra perguntar se eu tinha sentido a mesma coisa.
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A brincadeira era para ser com 5, mas já foi difícil desencavar esses 3. Descobri que tenho a memória mais seletiva do que imaginava: lembrei de muito mais beijos-inesperados-que-me-atropelaram do que dos que não aconteceram.
enviado por Dani K.
11:52 PM
Ainda sobre cinema, ano passado eu fui ver "Herbert Bem De Perto" com a Dora pequenininha numa mostra de documentário porque estava doida pra ver o filme (e pra sair de casa e me sentir uma pessoa, aquele pacote básico da recém-parida que a gente conhece). Foi legal, o filme era lindo, mas passei o tempo todo da sessão meio grilada achando que a pequena podia chorar e incomodar as outras pessoas ou que ia se assustar com o som muito alto ou passar frio por causa do ar-condicionado.
Sei de outras mães que vão com bebês bem pequenininhos ao cinema também, e sei que o sling e a escolha do horário da sessão (sempre o mais cedo e o menos concorrida possível) facilitam as coisas. Eu tava numa sessão à noite, lotadaça, e claro que isso fez o meu grau de tensão disparar. E, não sei se por causa disso ou não, mesmo tendo achado que o programa valeu muito a pena acabei não tendo ânimo pra tentar repetir a façanha (nem em circunstâncias mais calminhas).
Mas teria tido com certeza se existisse por aqui o que acabei de descobrir que rola no México: sessões exclusivas pra mães com bebês, com serviços especiais para garantir a tranqüilidade de umas e de outros durante o filme. Genial, né?
Pelo site dá pra sentir que a cadeia que inventou a coisa é uma bem comercialzona, dessas só com blockbusters made in hollywood, mas acho que já serviria pra aliviar a crise de abstinência de muitas cinéfilas em licença maternidade por aí...
enviado por Dani K.
8:08 AM
Sou eu que estou completamente desatualizada ou $9,50 é mesmo um preço fora da realidade por um saco de pipoca com coca-cola no cinema?
(aliás, quando foi que transformaram o refrigerante pequeno naquele baldão de meio litro?)
enviado por Dani K.
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