Dani, carioca morando em São Paulo, balzaquiana. Tradutora de inglês, taróloga, mãe - não necessariamente nessa ordem. Interessada em escultura, cinema, partos, portos, livros, línguas, gente e um punhado de outras coisas.
Quinta-feira, Dezembro 20, 20076:08 PM o que eu ia dizer é que gosto de dissonâncias
que essa falta de silêncios me assusta
e talvez eu hoje aceite aquele convite
o que eu ia dizer é que é tanto tudo o tempo todo
que às vezes só mesmo um banho de mar.
1:28 PM E aos amiguinhos trazidos pelo Google: não, eu não sei cuidar de pinheiro.
Bem que tentei uma vez, mas o coitado não sobreviveu pra contar a história.
(E isso foi no natal do ano passado retrasado. Neste voltamos à árvore de plástico, infelizmente)
Sexta-feira, Dezembro 14, 200712:19 PM Como ocorre com todos os bens sujeitos à escassez, parece que hoje a família nuclear em vias de extinção tem sido mais valorizada e idealizada do que nunca, criando uma dívida permanente e impagável que pesa sobre os membros das famílias que se desviam do antigo modelo. A indústria cultural se alimenta dessas idealizações. A dramaturgia popular, veiculada pelo cinema e pela televisão, apela constantemente para a restauração da família ideal, ao mesmo tempo em que vende sabonetes, marcas de margarina e conjuntos estofados para compor o cenário da perfeita felicidade doméstica.
A patologia da família que representa a si mesma como desestruturada – isto é, que não consegue confiar na estrutura criada a partir de suas necessidades e deslocamentos afetivos – está relacionada à omissão da geração parental em relação à educação dos filhos, sejam eles seus consangüíneos ou não. Some-se a isso o alto investimento narcísico de que as criança são objeto, como única razão da existência privatizada dos adultos de hoje – uma existência desgarrada tanto de sentido público quanto de laços tradicionais, portanto projetada em direção ao futuro. Na cultura do individualismo e do narcisismo, as crianças são a única esperança de imortalidade, a única “obra” destinada a levar adiante o nome e a memória de seus pais. Ninguém quer errar, ninguém se arrisca a contrariar os desejos de uma criança que representa a realização de uma perfeição impossível e imperativa.
Família, família, cachorro, gato, galinha...
Bom texto, recomendo a leitura completa. Dica roubada da Meg.
Terça-feira, Dezembro 04, 20075:23 PM Primeiro a livraria do shopping faz questão de não colocar nenhuma cadeira ou banquinho num raio de muitos metros, e ainda um avisinho simpático pedindo aos clientes que não sentem no chão (isso na seção infantil, atentem para o detalhe). Depois, o único critério de organização das prateleiras parece ser o do marketing barato: à vista, fáceis de pegar, to-dos os livros de personagem (aqueles que 99% das vezes vêm com um texto paupérrimo, isso quando não estão com erros e foram impressos na China). Lá no altão, ou convenientemente na altura do tornozelo, os outros. E tome contorcionismo. Naturalmente indecisa, eu me embanano ainda mais porque são presentes pra meninos, e praticamente desconhecidos (por mim. São amigos de escola da filha). Depois de muito abaixa-levanta acabo com uma pilha de títulos para escolher dois. Provavelmente atraída pelas minhas mãos cheias (onde ela deve ter enxergado cifrõezinhos, feito o Pica-Pau no desenho animado vendo o povo em volta em formato de frango assado) a mocinha se materializa na minha frente. Eu explico o caso, na esperança de uma ajuda para o desempate. Rápida, ela saca uns quadrinhos em edição de capa dura (que estavam mais perto das prateleiras valiosas):
-Olha, não sei... Eu estava pensando em escolher entre estes que tenho aqui.
-Ah... mas é que livro-livro assim eu acho chato demais.
E passando os quadrinhos (será que estavam encalhados? Valiam algum prêmio de vendas?) pra minha mão, antes que eu me recuperasse do choque:
Mas então, vai levar esses dois mesmo?