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11:24 AM
A coisa mais impressionante no tal site do asteróide, além da própria notícia em si, é o tom que as pessoas usam e as idéias que passam na cabeça delas, claro. O último alarde a la cinema-catástrofe do povinho que escreve lá é que estamos comemorando cedo demais, mas não adianta: na rádio-cabeça aqui só rola um mesmo hit, desde ontem:
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar
Beijei a boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
E o tal do mundo não se acabou
***
E, voltando à programação normal, o Meme da Meg (que, aliás, fez muito bem em reabrir a conta da sua mesa de bar e mandar descer mais uma rodada):
Onde vc estava e o que estava fazendo há 35 anos?
Na barriga da minha mãe, dando cambalhotas porque ainda tinha bastante espaço.
30 anos?
Na Morada do Sol, sendo mimada pela babá chamada Ormi, indo à praia do Leme com a minha mãe, tentando agarrar meu irmão menor à força pra dar uns beijos nele.
25 anos?
Em Jacarepaguá, fazendo fogueira com meu irmão no terreno baldio, tomando banho de piscina no quintal, indo de bicicleta jogar cartinha de amor anônima na caixa de correio da casa do menino bonito da escola.
20 anos?
De volta ao Rio depois de morar em Rondônia e Goiânia, ocupada sendo a menina-da-dupla-personalidade: CDF meio freak na escola e garota normal no cursinho de inglês.
15 anos?
Na ECO, já contratada como tradutora na Globosat e me preparando pra viajar para a Europa.
10 anos?
No meu quarto-e-sala da General Severiano, trabalhando enlouquecida de 7 da manhã às 10 da noite, muito intrigada com o sujeito que andava 'me perseguindo' pelos corredores e cafezinhos da vida e de quem eu não sabia nada ainda.
5 anos?
No apartamento do janelão de madeira, casada com o (agora não mais só isso) sujeito e mãe de uma menina de 2, pensando em comemorar os 30 em grande estilo.
1 ano?
Em São Paulo curtindo a vida-familinha, cuidando das meninas, trabalhando, escrevendo.
enviado por Dani K.
12:47 AM
O mundo acabou numa terça, às 4 e 20 da tarde. A caneta tinha tinta mas faltou o bloco, ela me disse para ser feliz e eu quase ia sendo. O mundo acabou numa terça, chovia em São Paulo. Na mão esquerda a unha com esmalte lascado e o anel de sempre, e eu precisava cortar o cabelo. Não consegui decifrar o olhar da mocinha no meu decote nem as máscaras encharcadas na vitrine, o samba dissonando da conversa dos encasacados na fila do cinema. O mundo acabou numa terça.
Apesar do saco plástico que eu conscientemente recusei no caixa, apesar das lágrimas da namorada traída na mesa em frente, da sopa com gengibre em pleno janeiro, da vendedora que mandou dar novalgina ao neto que tinha febre. Apesar do CD ainda lacrado na minha bolsa roxa, o mundo acabou, 2 minutos antes de eu descer as escadas e sumir na estação do metrô.
(livremente inspirado/assombrado por isso aqui)
enviado por Dani K.
11:18 PM
As meninas se empolgaram com a instalação da Yoko Ono Árvore do Desejo no passeio de hoje à tarde. Enquanto rabiscavam suas participações (só a Lia pendurou uns 5 papeizinhos, até onde eu pude contar), entreouvi de outra mãe que acompanhava duas meninas maiorzinhas:
Eu vou ali ver o vídeo. Quero as duas lá quando terminarem, e quero ler os desejos antes de vocês pendurarem nas árvores, hein?
Ui.
A exposição, aliás, está muito bacana e foi prorrogada só até o próximo domingo, dia 13, no MAM do Rio. Recomendo.
Perambulando entre os desejos que chegavam a pesar nos galhos (as pobres das árvores, confinadas entre as paredes envidraçadas do MAM, estavam meio raquíticas), não pude deixar de lembrar disso.
Mais sobre as obras (quando passaram pelo Museu Vale do Rio Doce, no Espírito Santo), aqui.
enviado por Dani K.
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