Dani, carioca morando em São Paulo, balzaquiana. Tradutora de inglês, taróloga, mãe - não necessariamente nessa ordem. Interessada em escultura, cinema, partos, portos, livros, línguas, gente e um punhado de outras coisas.
Quarta-feira, Fevereiro 20, 200810:48 PM Mas lembre de beber água, ela sorriu casual.
De respirar também, acho que preciso.
O corpo expulsou a jóia que abrigava há anos e fechou o furo. Decidido assim.
Eu da minha parte mandei fazer uma canja, catei um comprimido, dei um telefonema.
Hoje tem lua cheia e eclipse, e este fevereiro que não acaba.
Hoje a menina perguntou como se faz pra escrever um livro, e enfim veio uma notícia feliz.
Choveu à tardinha, voltamos a pé.
E a casa toda cheirava a canela.
Terça-feira, Fevereiro 12, 20087:04 PM De saída, ela fez a título de despedida um retrato muito sensível desta cidade-que-não-acaba, que tantas vezes ainda me desce dura demais pela garganta mas que com o tempo tem revelado boas surpresas, me fazendo ter a certeza de que quando chegar a nossa vez de ir eu também vou ter saudades. Boa vida nova, querida!
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Felicidade é chegar sem ser notada, se trancar no quarto e conseguir paz completa por meia hora porque todo mundo acha que você ainda está na rua.
(ou: coisas que só passam na cabeça de uma mãe que trabalha em casa)
6:44 PM O que mais tem nas revistas são aqueles relatos de pessoas com 40, 50, 60 anos que "se sentem com 20", da atriz que "se sente menina", e por aí vai. O que eu acho é que depois de uma certa idade (e antes de alguma outra, provavelmente) a contagem do número de anos vividos ou a viver passa para um segundo plano mental. Você não precisa mais esperar os 9 anos para ser grande, nem os 16 pra tirar o título, nem os 18 pra pegar o carro emprestado. Você é adulta e isso vira uma espécie de condição perene, pelo menos até chegar o dia de ter que mandar fazer uns óculos para enxergar as malditas letrinhas miúdas. Para mim, pelo menos, as coisas costumam ser assim. Menos se é carnaval numa cidade de praia, o seu hotel vai sediar uma festa de hip hop com entrada grátis para os hóspedes e te oferece a dádiva de uma baby-sitter (e o luxo raríssimo de uma saída à noite, a dois e sem crianças, em pleno feriado). Porque afinal fica muito difícil não traduzir a condição perene em números muito exatos quando você e o seu marido travam contato com um grupinho no bar e a menina faz perguntas do tipo 'e aí, ele beija bem?' (seguida de um ooooh de espanto quando você diz que sim e que aliás vocês estão casados há 10 anos), ou quando diante de alguma menção qualquer a filhos a primeira referência que passa na cabeça de todas as pessoas em volta é a delas mesmas como filhas (seguida de um oooooh, que bacana ver pais na balada, os meus pais nunca saem).*
*não, este não é um post na linha que-saudades-que-tenho-da aurora-da-minha-vida-que-os-anos-não-trazem-mais. Eu estou bem no presente, obrigada. Só foi uma sensação meio alice-que-comeu-o-cogumelo me ver de repente transformada em "mãe na balada".