Dani, carioca morando em São Paulo, balzaquiana. Tradutora de inglês, taróloga, mãe - não necessariamente nessa ordem. Interessada em escultura, cinema, partos, portos, livros, línguas, gente e um punhado de outras coisas.
Segunda-feira, Dezembro 01, 200812:05 PM Você sabe que não é uma pessoa simpática quando basta o blablablá das mães de domingo na pracinha (Menina, mas esse corte de cabelo ficou ótimo, hein? Foi no salão da fulana? ... Ah, mas você deu sorte, né? Um casalzinho logo de cara ... Olha, de sábado eu tenho a faxineira que olha os meninos pra mim também, porque você sabe a correria que é... Mas a sua não vai pra escolinha ainda?) pra fazer as suas sobrancelhas franzirem atrás dos óculos escuros e subir pela garganta uma gana de ter nas mãos qualquer coisa mais pesada que o caderno de variedades do jornal pra jogar na direção das criaturas.
***
Pode não parecer, mas tem diferença entre estar disposta a assumir o preço das suas escolhas pouco ortodoxas e se transformar em alvo default para todos os fantasmas das pulsões não-assumidas de quem está em volta. Ou: atenção, mundo, eu não me chamo Geni.
***
Dezembro, né? Aquela mistura de empolgação em nome da alegria das crianças e a velha vontade de dar um fast-forward na trabalheira natalina e despachar logo 2008 junto com as flores brancas pra Iemanja.
***
Quase cinco anos morando na cidade-que-não-acaba e eu ainda estranho ver o azul-tudo de primavera iluminando a janela sem que isso mude em nada o cheiro rascante do vento, e ainda sinto falta de poder dar uma escapada até a praia em fins de tardes assim.